segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Água de rio

Insistiu comigo para que fôssemos ao sítio. Tomar banho de rio. "Tá calor, tô hiperventilando". Hiperventilar é o verbo que ele utiliza quando quer dizer que o calor é tanto que ele está passando mal, sentindo falta de ar. Mas, na verdade, acho que quando diz que está "hiperventilando" ele quer mesmo é comer um ventilador. Dois, caso esteja na casa dos pais, pois lá faz muito calor e nem é no Mato Grosso.
Eu, que nasci e fui criada no meio do mato, sempre querendo conhecer as diversidades da cidade (não era para rimar), gosto de pensar na idéia de passar uns dias hibernando em meio ao ar puro e à natureza. Mas só gosto de pensar nisso quando estou na cidade "grande" e não aqui, na cidade pequena, quase em meio ao meio do mato.
Enfim, vamos lá. "Tá bom, vamos tomar banho de rio. Mas não quero me embrenhar por lá e ter que abrir caminho até o rio, ok?". Fomos. O sítio fica há quatro quilômetros da casa. O asfalto que leva até a entrada do sítio é esburacado, estreito e parece mostrar a sombra de vários acidentes que já ocorreram por ali. Acidentes que, cada vez que cruzamos o mesmo trecho, ele conta como se fosse pela primeira vez. E eu, com essa triste mania que tenho, tiro o encanto lembrando-o que ele já falou sobre esta ou aquela história. Do trator que tombou. Do ônibus que caiu e morreram não sei quantos.
Chegamos ao sítio. A velha casa de madeira toda fechada. "Não pode ter ninguém aí trancado com este calor, não devem estar". Tudo bem, não estávamos invadindo propriedade privada sem permissão. Ele abriu o portão que dava para uma pastagem e seguimos em direção ao rio. Na verdade, seguimos uns dez passos em direção a um matagal e não demos um passo além.
"Você viu?". Eu não tinha visto nada, mas como quase nunca sou eu quem vê coisas nesse relacionamento, esperei. "Viu o mato se mexendo?". Como é óbvio que mato não se mexe, eu disse que não vi (claro que eu não disse que não vi porque o mato não se mexe, na verdade eu não vi nada mesmo se mexendo ali no meio do matinho). "Eu não entro aí, não", disse eu.
Ele esperou, analisou um pouco, deu umas pisoteadas na grama, verificou que mais alguns passos adiante o terreno parecia ceder em um declive, o que nos faria não só ter de enfrentar o mato alto, mas quem sabe ter de descer aquele pequeno murundum.
"Sinto muito, amor, mas não tenho coragem de entrar aí". "Nem eu", ele disse. Ficou decidido que voltaríamos sem o banho de rio. Sem os respingos da água do rio. Na verdade, do rio não conseguimos sequer ouvir o barulho ou ver a cor das águas (essas águas de rio podem ter cor, oras!). Voltamos para a cidade.
A estrada de chão tinha resquícios de barro, havia chovido um pouco no dia anterior, o que não bastou sequer para dar uma aliviada no calor intenso. Mas bastou para sujar os pneus do carro e o pára-lamas (que nome propício, poderia se chamar guarda-lamas).
"Que tristeza, ver o sítio desse jeito, esse matagal todo, parece que tá tudo abandonado". O que eu vou dizer? Ele cresceu aqui, viveu aqui por anos, passou boa parte da infância neste lugar. Eu não sei como era o sítio, não faço a menor idéia de como era o rio (só ouço histórias sobre as brincadeiras e bizarrices que aconteceram ali). Mas consegui sentir a melancolia em suas palavras. Concordei com a tristeza dele e seu lamento.
Chegamos em casa sentindo calor acumulado (o calor aumentou com a expectativa de tomar banho de rio e, por isso, voltamos do sítio não apenas decepcionados mas também mais "acalorados"). E o carro, sujo. A mangueira estava ali, "dando sopa", pendurada no muro. "Vamos lavar o carro?". "Vamos!". Quem não tem rio no sítio, tem mangueira na cidade. Não é a mesma coisa. Mas, dane-se, com um calor destes o importante é que a água esteja fresca, não interessa se vem do rio ou da mangueira.

sábado, 19 de setembro de 2009

Muito sol demais

Se ela levantar da cama hoje, abrir a porta e colocar os pés na rua será engolida pelo sol. Sentir, só, é pouco. Dá até para ver o calor que está lá fora, o calor saindo das coisas, das flores murchas, do asfalto, dos telhados, dos capôs dos carros. Eita calor...

domingo, 2 de agosto de 2009

Como chamar a polícia

Um dos muitos textos que a gente recebe por e-mail erroneamente atribuídos a Luiz Fernando Veríssimo. Mas que é igualmente bom (e engraçado) como muitos dos textos do grande escritor.

"Eu tenho o sono muito leve, e numa noite dessas notei que havia alguém andando sorrateiramente no quintal de casa. Levantei em silêncio e fiquei acompanhando os leves ruidos que vinham lá de fora, até ver uma silhueta passando pela janela do banheiro.
Como minha casa era muito segura, com grades nas janelas e trancas internas nas portas, não fiquei muito preocupado mas era claro que eu não ia deixar um ladrão ali, espiando tranquilamente. Liguei baixinho para a polícia informei a situação e o meu endereço.
Perguntaram-me se o ladrão estava armado ou se já estava no interior da casa. Esclareci que não e disseram-me que não havia nenhuma viatura por perto para ajudar, mas que iriam mandar alguém assim que fosse possível. Um minuto depois liguei de novo e disse com a voz calma:- Oi, eu liguei há pouco porque tinha alguém no meu quintal. Não precisa mais ter pressa. Eu já matei o ladrão com um tiro da escopeta calibre 12, que tenho guardada em casa para estas situações. O tiro fez um estrago danado no cara!
Passados menos de três minutos, estavam na minha rua cinco carros da polícia, um helicóptero, uma unidade do resgate , uma equipe de TV e a turma dos direitos humanos, que não perderiam isso por nada neste mundo.
Eles prenderam o ladrão em flagrante, que ficava olhando tudo com cara de assombrado. Talvez ele estivesse pensando que aquela era a casa do Comandante da Polícia.
No meio do tumulto, um tenente se aproximou de mim e disse: - Pensei que tivesse dito que tinha matado o ladrão. Eu respondi:- Pensei que tivesse dito que não havia ninguém disponível.

(Autor: Rossano Cancelier)

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Ajudar

É possível que eu esteja, neste exato momento, juntando tijolos para construir mais um degrau na escada que talvez um dia me leve para o céu. O problema é que alguns desses tijolos servem às próprias pessoas a quem tentamos ajudar, quando os utilizam como arma contra nós mesmos. É difícil tentar ajudar gente assim.

domingo, 21 de junho de 2009

A sujeira por nós deixada

A natureza das coisas tem o hábito de se esconder. Ficamos tontos procurando a razão do ser, do existir, do ocorrer de tantas coisas. E ficamos estarrecidos com o não acontecer e não existir de tantas outras. O ser humano procura motivos racionais para entender as irracionalidades desumanas a que ele próprio dá vida todos os dias. Mentira, ganância, ódio, vingança, inveja, cobiça, ira e tantos outros sentimentos e atitudes só nasceram depois do homem. Há um dito que afirma que os porcos tornaram-se sujos após ter contato com o homem.

Desde então, por onde passa o homem tem deixado um rastro de sujeira. Pode procurar por aí, tentar lembrar coisas do passado recente ou de épocas mais remotas e verá que, quase tudo o que o homem tocou com mão imunda até hoje tem vestígios de sujidade. Religiões, obras, culturas, artes, cidades, a natureza, a política, a música, a televisão, a própria humanidade. Tudo o que com mãos de maldade o homem tocou, marcado por sujeira está até hoje.

Se a mão que afaga é a mesma que apedreja, estamos muito mais apedrejando do que afagando nossas coisas, nossas vidas. Nossa passagem pela Terra está sendo marcada deveras mais por sujeira do que qualquer outra coisa contrária. O que estamos deixando para nossos filhos e netos se orgulharem, se é que terão essa oportunidade, nada mais é do um mundo muito pior do que aquele que a nós deixaram nossos pais, avós, bisavós. E parecemos estar bem pouco preocupados com isso. Talvez até estejamos preocupados, mas não é o que nossas ações diariamente demonstram.

terça-feira, 16 de junho de 2009

Às vezes é chato, sim...

Tem coisas que você faz todo dia porque são necessárias, porque é imprescindível, porque é preciso, porque já é adulto e precisa fazer, porque se não fizer não terá comida na mesa no dia seguinte ou nas semanas seguintes, porque se não fizer vai apanhar ou ser passado para trás, porque é preciso fazer para se manter vivo, porque não pode ficar em casa sem fazer nada nunca, porque seus pais cobraram que você fizesse uma faculdade e fosse alguém na vida... enfim, coisas que você precisa fazer porque precisa fazer e nem sempre são legais. Pelo contrário, às vezes é chato, sim.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

A idade de ser feliz

"Existe somente uma idade para a gente ser feliz, somente uma época na vida de cada pessoa em que é possível sonhar e fazer planos e ter energia o bastante para realizá-las a despeito de todas as dificuldades e obstáculos.
Uma só idade para a gente se encantar com a vida e viver apaixonadamente e desfrutar tudo com toda intensidade sem medo, nem culpa de sentir prazer.
Fase dourada em que a gente pode criar e recriar a vida, a nossa própria imagem e semelhança e vestir-se com todas as cores e experimentar todos os sabores e entregar-se a todos os amores sem preconceito nem pudor.
Tempo de entusiasmo e coragem em que todo o desafio é mais um convite à luta que a gente enfrenta com toda disposição de tentar algo NOVO, de NOVO e de NOVO, e quantas vezes for preciso.
Essa idade tão fugaz na vida da gente chama-se PRESENTE e tem a duração do instante que passa. PARABÉNS, MINHA LINDA, QUE VOCÊ TENHA SAÚDE, FELICIDADE, AMOR EM TODOS OS INSTANTES DA SUA VIDA. COM MUITO CARINHO... da TIA MARISA E DA ALANA"

Obrigada, meus anjos. Vocês e tanta gente lembraram de mim e deixaram uma mensagem de carinho, por menor e simples que fosse, neste dia que, se não fosse por vocês, por seu amor, teria sido um dia ruim. Amo vocês.

Acordei um ano mais velha

Fui dormir tarde ontem e acordei um ano mais velha.
Como o tempo passa...
O que o tempo fez com aquela festa surpresa de aniversário dos 24 anos da minha mãe, se hoje eu estou comemorando 26 anos?
O que o tempo fez com os jogos de futebol do meu pai, nos finais de semana, quando eu ainda nem sabia direito quantos jogadores formavam um time?
Para onde o tempo levou meu triciclo, minha boneca de cabelos brancos e vestido azul de bolinhas, que eu ganhei da Nona?
Para onde o tempo levou meu “bonecão”, feio e com um pseudo uniforme do Grêmio (influência do meu pai), mas que eu adorava?
Para onde levou meu “telefoninho” com rodas, que eu puxava pela casa inteira e fazia um barulho que não sei como meus pais suportavam...?
E o meu ursinho verde de pelúcia, velho, sofrido, com a pelúcia mais que desgastada, que perdeu a boca, o nariz, ficou cego dos dois olhos e eu os costurei com linha preta e não deixava minha mãe sequer ameaçar jogá-lo fora ou substituir por um novo?
E a minha banheira amarela, minha “baieta” xadrez quentinha,
Tempo, tempo, tudo em função dele. O que é que o tempo fez com aquela garotinha de três anos e cabelinhos amarelos?
O que o tempo fez com a pele que eu tinha aos 6 anos?
O que fez com a disposição e energia que eu tinha aos 8, 10 anos?
O que o tempo fez com os belos e longos cabelos loiros que eu nem cuidava tão bem assim, mas que aos 12, 13 eram lindos...?
O que o tempo fez com os olhos que eu tinha naquela época, sem marcas de expressão, com as sobrancelhas grossas e bem definidas, quando eu nem fazia ideia de como usar uma pinça?
O que o tempo fez com a cintura que eu tinha aos 14, 15 anos, quando eu podia comer qualquer coisa sem culpa alguma?
O que o tempo fez com minha coluna, quando eu nem cuidava dela e poderia ficar um dia e noite inteiros na frente do computador e não sentir qualquer resquício de dor nas costas?
O que o tempo fez com a preocupação que eu não tinha na adolescência, com todas as horas do meu dia, com as minhas amigas do colégio, com os cadernos de pensamentos e confidências...?
Para onde o tempo levou o sonho de cantar, casar cedo, ter filhos? Hoje em dia convivo com o só cantar no chuveiro, descobrir a falta que às vezes faz e outras não faz o casamento e lidar com a vontade e o medo de colocar um filho neste mundo...
O tempo fez tanta coisa de uns tempos pra cá. Quando eu vejo fotos daquela menina magricela, loirinha, branca, tímida, penso o que o tempo deixou sobrar dela em mim? E passo o restante do tempo tentando procurar qualquer vestígio daquela garotinha...

Para não esquecer mesmo...

Ótimo. Estou eu aqui a checar meus e-mails, vendo os recados que algumas pessoas deixaram em minha página no Orkut por conta do meu aniversário, que é hoje. Respondi a todos e percebo que já estou tendo a tréplica, o que me faz ver que as pessoas gostam mesmo de ficar no Orkut... Mas o interessante é que recebi um alerta do Windows Live Calendar para informar que hoje, de 15 de junho, é meu aniversário. Ah! Que bom! Eu não queria mesmo esquecer desta data tão especial (que me traz tristes lembranças...). Que bom que o MSN me avisou que hoje é meu aniversário. Como sou grata à tecnologia!

sábado, 13 de junho de 2009

Frio e dor

Morando em uma das cidades mais frias deste país imenso, vim descobrir justo aqui no Sudoeste do Paraná, na casa de meus pais, que a expressão "frio de doer" não é metafórica, não. O frio causa dor, principalmente nos pés e nas pernas. Outras sensações também causam dor, principalmente no coração e na cabeça. Há quem diga que o amor cura tudo... estamos fazendo testes para saber.

Um anjo

Se é verdade mesmo que ela virou um anjo quando se foi, então neste fim de semana já faz 12 anos que ela está batendo suas asas por aí, livre, solta, bela, amada, olhando por nós e ainda tentando nos fazer entender o quanto é difícil não pensar, não lembrar, não sentir saudades e, mesmo depois de tanto tempo, não chorar sua falta. Nona, você é eterna.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Muitas coisas

Tenho muitas coisas para escrever, mas minhas mãos estão dormentes.
Existem tantos livros para ler, mas meus olhos estão cansados.
Há vários filmes para assistir, mas mandei a TV passear.
Quero saber onde foi parar o mundo desde que tiraram de mim a velha máquina de escrever e eu só tinha 12 ou 13 anos...